EXPOSIÇÃO
VÉUS DA MINHA MATA

Ficamos várias horas considerando o nome mais apropriado para esta exposição. Tivemos uma ampla discussão, e nela entendi o quão fundamental era escolhe-lho com o mesmo cuidado e reverência que a artista tem com seu quintal, um remanescente da Mata Atlântica aos pés do Morro do Cal. A natureza nela contida não é somente a origem de seus trabalhos, mas também é o propósito da sua arte.

Muitos de nós tentamos nos desconectar das tecnologias, demandas e ruídos buscando o silêncio e o conforto em trekking. Para a artista, trilhar é a sua rotina e sua mata é seu laboratório. Desde sementes, raizes e árvores, tudo é meticulosamente catalogado e estudado. Examina as cascas vezes lisas, vezes rugosas. Observa musgos nas entranhas dos troncos e das pedras. Encontra flores nos lugares mais inusitados. Desvenda o véu que esconde o invisível e o mais profundo.

No ateliê, acolhe as cores e as texturas de sua caminhada e as conduz na tela com a mesma autoridade e impetuosidade das forças da natureza. A artista sintetiza sua jornada em um abstrato que explode em impastos, nuances e veios e nos desafia a encontrar a nossa própria trilha em sua obra.

Valéria Baranhuk Ross
Curadora